Resfriamento de palmas entre séries não melhora performance em treino resistido de corpo inteiro — crossover em 25 atletas treinados
1. Instituição e origem: Piñero, Mohan e Burke publicaram este estudo crossover na Journal of Sports Sciences em 2026 (PMID 42472446, DOI 10.1080/02640414.2026.2702733). O trabalho testa resfriamento inter-série de palmas (IPC) com dispositivo de água durante protocolo de treinamento resistido de corpo inteiro em contexto ecologicamente válido — diferente de testes isolados em laboratório.
2. O que o estudo queria responder: A pergunta foi: aplicar resfriamento distal de palmas (10–15 °C) por 2 minutos entre séries de um treino resistido completo melhora repetições, volume load, salto vertical, lactato, frequência cardíaca ou percepção de esforço em praticantes treinados?
3. Quem participou: Doze mulheres e treze homens treinados completaram o estudo (25 no total). Participantes passaram por sessão de familiarização com teste de 10RM e duas sessões experimentais em ordem randomizada: IPC (palmas 10–15 °C) ou controle (CON, 22–28 °C), com 2 min de resfriamento entre séries.
4. Como foi feito: Desenho crossover randomizado. Protocolo FB (full-body) multi-série de treinamento resistido orientado a hipertrofia. Desfechos: repetições até falha, volume load, índice de fadiga, salto com contramovimento pré/pós, Borg CR10, lactato, frequência cardíaca e temperatura timpânica. Análise bayesiana para comparar condições.
5. Duração: Cada sessão experimental representa um único dia de treino — o estudo não investiga adaptações crônicas (hipertrofia, força) ao uso repetido de IPC ao longo de mesociclos.
7. O que os resultados mostraram: A análise bayesiana revelou baixa probabilidade de diferença em qualquer variável medida entre IPC e controle. (a) Repetições até falha, volume load e índice de fadiga não se beneficiaram do resfriamento de palmas. (b) Salto com contramovimento, lactato, frequência cardíaca e temperatura timpânica também não diferiram. (c) Marcadores psicológicos (desconforto, session-RPE) não melhoraram com IPC. O título do estudo resume o achado: “Cool in theory, not in practice”.
8. O que o estudo não responde: Não testa outros métodos de resfriamento (manguitos, banho de corpo inteiro). População treinada e sessão única — efeitos em iniciantes ou em treinos de força máxima (1–3 repetições) permanecem incertos.
9. Aplicação prática: Não invista tempo ou dinheiro em resfriamento de palmas entre séries esperando ganho de performance em treino de hipertrofia de corpo inteiro. Foque em periodização, descanso adequado entre séries e técnica — evidência atual não suporta IPC como ergogênico neste contexto.
10. Ponto de atenção: Dispositivos comerciais de “cooling palms” são marketing intensivo; este RCT sugere benefício mínimo ou nulo para performance objetiva em treino resistido real.
11. Uma frase para levar: Resfriar as palmas entre séries provavelmente não vai turbinar seu treino de hipertrofia — a teoria não se confirmou na prática.
Referência
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42472446/
Conteúdo educativo, não substitui avaliação ou orientação de profissional de saúde. Consulte um profissional antes de iniciar treino, dieta ou suplementação.
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