Fase do ciclo menstrual não muda hipertrofia nem força — RCT unilateral de 24 mulheres por 12 semanas na McMaster
1. Instituição e origem: Ensaio controlado randomizado conduzido no Departamento de Kinesiologia da McMaster University (Hamilton, Canadá), liderado por D'Souza e colaboradores, publicado em Medicine & Science in Sports & Exercise em maio de 2026. Utilizou desenho unilateral dentro de participante — método rigoroso para isolar efeitos da fase menstrual. DOI: 10.1249/MSS.0000000000004031.
2. O que o estudo queria responder: Periodizar o volume de treino resistido conforme a fase do ciclo menstrual (mais volume na fase folicular ou lútea) produz mais hipertrofia e força do que treinar com volume contínuo equilibrado entre as fases?
3. Quem participou: 24 mulheres eumenorreicas saudáveis completaram o protocolo ao longo de três ciclos menstruais consecutivos (12,2 ± 1,3 semanas). Cada perna foi randomizada para uma de quatro condições: controle sem exercício (CON), treino contínuo equilibrado (EX), alto volume na fase folicular e baixo na lútea (HV-FOL), ou o inverso (HV-LUT). Alto volume = 5 séries/exercício 2×/semana (≥10 séries·músculo⁻¹·semana⁻¹); baixo volume = 1 série/exercício 2×/semana (≤5 séries·músculo⁻¹·semana⁻¹).
4. Como foi feito: Desenho randomizado unilateral (within-participant). Desfecho primário: massa magra da coxa por DXA. Secundários: área de secção transversa do vasto lateral (VL CSA), massa livre de gordura da perna (FFM por bioimpedância), 1RM e contração isométrica voluntária máxima. Comparações estatísticas entre CON, EX, HV-FOL e HV-LUT.
5. Duração: Três ciclos menstruais (~12 semanas) capturam adaptações iniciais de hipertrofia, mas não mesociclos longos nem mulheres em contraceptivos hormonais — população restrita a eumenorreicas saudáveis.
7. O que os resultados mostraram: Todas as condições de treino resistido (EX, HV-FOL, HV-LUT) produziram ganhos significativamente maiores que CON em massa magra da coxa, VL CSA, FFM e 1RM (todos p < 0,001). (a) Não houve diferença entre EX, HV-FOL e HV-LUT em nenhum desfecho (todos p ≥ 0,17). (b) A periodização baseada na fase menstrual (MCPBT) não conferiu vantagem sobre treino contínuo. (c) O volume de carga total (volume-load), e não a sincronização com o ciclo, esteve associado às adaptações observadas.
8. O que o estudo não responde: Não testou mulheres com amenorreia, PCOS ou uso de anticoncepcional hormonal. Apenas pernas foram treinadas — não generaliza para tronco ou membros superiores. Doze semanas é curto para conclusões sobre periodização de longo prazo em atletas de elite.
9. Aplicação prática: Mulheres eumenorreicas podem treinar com volume estável ao longo do ciclo sem medo de “perder ganhos” em fases específicas. Se a fase lútea traz desconforto, reduzir volume por preferência pessoal é válido — mas não é exigência fisiológica segundo estes dados. Priorize volume semanal adequado (≥10 séries/músculo) e progressão de carga.
10. Ponto de atenção: Este estudo desafia recomendações populares de “treinar mais na folicular”, mas não invalida o manejo de sintomas individuais (cólica, fadiga). Não extrapole para mulheres em terapia hormonal sem evidência específica.
11. Uma frase para levar: O ciclo menstrual não precisa ditar seu split de musculação — o que importa é o volume total, não o calendário hormonal.
Referência
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42160459/
Conteúdo educativo, não substitui avaliação ou orientação de profissional de saúde. Consulte um profissional antes de iniciar treino, dieta ou suplementação.
Transforme ciência em prática
Crie sua conta e receba treino, nutrição e bem-estar personalizados por IA, adaptados ao seu momento de vida.
Começar no seu ritmo