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Musculação

Contração excêntrica vs. concêntrica para hipertrofia muscular: meta-análise de 26 estudos com 682 sujeitos

25/05/2026 · 3 min de leitura · Evidência: Moderada

Em resumo: No geral, treino excêntrico e concêntrico produzem hipertrofia equivalente — mas o excêntrico leva vantagem em membros superiores, fases curtas de treinamento e avaliações por ultrassom.

Instituição e financiamento: Universidade de São Paulo, campus Ribeirão Preto (FMRP-USP), com financiamento parcial da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).

Pergunta central: O treinamento predominantemente excêntrico (ECC) produz maior hipertrofia muscular do que o treinamento concêntrico (CON) em adultos saudáveis?

Participantes: 682 sujeitos distribuídos em 26 estudos experimentais identificados nas bases EMBASE, MEDLINE, Cochrane, Web of Science, Scopus e SPORTDiscus. Adultos saudáveis, homens e mulheres, destreinados a moderadamente treinados.

Métodos: Meta-análise com cálculo de tamanho de efeito padronizado (SMD — diferença de médias padronizada). Análises de subgrupos por região muscular (membros superiores vs. inferiores), duração da intervenção (≤8 vs. >8 semanas), método de mensuração (espessura muscular por ultrassom vs. outros) e tipo de contração (isocinética vs. isotônica). Avaliação de qualidade metodológica com GRADE.

Duração: Intervenções variando de 4 a 24 semanas conforme os estudos incluídos.

Resultados principais: No geral, não houve diferença significativa entre ECC e CON para hipertrofia (SMD=0,285; p=0,179; I²=84,4%; GRADE: muito baixo). Contudo, análises de subgrupo revelaram vantagens do ECC em: (1) músculos de membros superiores (p=0,018); (2) intervenções de ≤8 semanas (p=0,046); (3) mensuração por espessura muscular via ultrassom (p=0,035); (4) contrações isocinéticas (p=0,025). Em membros inferiores e intervenções mais longas, a diferença desaparece.

Limitações: Alta heterogeneidade (I²=84,4%) entre os estudos, dificultando conclusões definitivas. Diversidade nos protocolos de treinamento (volume, intensidade, velocidade de contração) e nos métodos de avaliação da hipertrofia. Qualidade metodológica variável — GRADE "muito baixo" para o efeito geral.

Aplicação prática: Para hipertrofia de membros superiores (bíceps, tríceps), ênfase excêntrica (fase de descida controlada) pode ser vantajosa, especialmente em fases iniciais (<8 semanas) ou ao medir diretamente espessura muscular. Para membros inferiores e treinamentos longos, não há superioridade clara do ECC. A ênfase excêntrica é uma estratégia válida de periodização, não uma regra universal.

Ressalvas: A heterogeneidade muito elevada (I²=84%) limita a interpretação do resultado global. As vantagens do ECC foram observadas em subgrupos específicos — generalizar para todos os grupos musculares e protocolos não é adequado.

Em uma frase: No geral, treino excêntrico e concêntrico produzem hipertrofia equivalente — mas o excêntrico leva vantagem em membros superiores, fases curtas de treinamento e avaliações por ultrassom.

Referência

https://doi.org/10.1519/JSC.0000000000004981

Conteúdo educativo, não substitui avaliação ou orientação de profissional de saúde. Consulte um profissional antes de iniciar treino, dieta ou suplementação.

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