Creatina não provoca queda de cabelo: RCT de 12 semanas mede DHT e saúde folicular em homens treinados
1. Instituição e origem: Conduzido por Mohammadyasin Lak, Scott C Forbes e colaboradores, com afiliações ao Sport Sciences Research Institute of Iran (Teerã), Brandon University (Canadá) e Ahvaz Jundishapur University of Medical Sciences. Publicado em 2025 no Journal of the International Society of Sports Nutrition (DOI 10.1080/15502783.2025.2495229; PMC12020143). É o primeiro RCT a medir diretamente folículos capilares após creatina monohidratada.
2. O que o estudo queria responder: A creatina aumenta força e massa magra, mas circula online a hipótese de que ela elevaria di-hidrotestosterona (DHT) e causaria queda de cabelo — existe evidência indireta antiga, porém nenhum ensaio havia testado folículos. O estudo perguntou: 12 semanas de creatina (5 g/dia) alteram testosterona total, testosterona livre, DHT ou parâmetros de saúde capilar versus placebo?
3. Quem participou: Recrutaram 45 homens treinados em resistência, 18–40 anos, randomizados para creatina monohidratada (5 g/dia) ou placebo (maltodextrina 5 g/dia), mantendo dieta e treino habituais. Trinta e oito completaram o protocolo; o resumo não detalha proporção de sexo além de ser 100% masculino.
4. Como foi feito: RCT de 12 semanas com coletas sanguíneas no baseline e na semana 12 (testosterona total, livre e DHT). Saúde capilar via Trichograma e sistema FotoFinder (densidade, unidades foliculares, espessura cumulativa). Análise: ANOVA medidas repetidas e análise de sensibilidade para outliers.
5. Duração: Doze semanas capturam alterações hormonais agudas, mas não décadas de exposição — queda de cabelo androgenética evolui ao longo de anos. O desenho também não testa doses maiores que 5 g/dia.
7. O que os resultados mostraram: (a) Nenhuma interação grupo×tempo para hormônios ou desfechos capilares (p > 0,05 em todos). (b) Testosterona total subiu em ambos os grupos ao longo do tempo (creatina: Δ124 ± 149 ng/dL; placebo: Δ216 ± 203 ng/dL) — efeito temporal, não atribuível à creatina. (c) Testosterona livre caiu levemente nos dois braços (creatina Δ−9,0 ± 8,7 pg/mL; placebo Δ−9 ± 6,4 pg/mL). (d) DHT, razão DHT/testosterona, densidade capilar, contagem de unidades foliculares e espessura cumulativa não diferiram entre creatina e placebo. Conclusão dos autores: evidência forte contra a alegação de que creatina contribui para queda de cabelo neste perfil.
8. O que o estudo não responde: Não inclui mulheres, pessoas com alopecia diagnosticada ou não treinadas. Não testou creatina em ciclos de carga (ex.: 20 g/dia). Financiamento e conflitos completos exigem consulta ao texto integral.
9. Aplicação prática: Quem já usa creatina 3–5 g/dia por desempenho e receia calvície pode ficar mais tranquilo com este RCT — não há sinal de piora capilar medida objetivamente em 12 semanas. Mantenha hidratação e acompanhamento médico se houver histórico hormonal ou capilar.
10. Ponto de atenção: Suplementação e alterações hormonais variam entre indivíduos; quem tem histórico de alopecia androgenética deve conversar com dermatologista antes de iniciar creatina — o estudo não incluiu mulheres nem pessoas com diagnóstico prévio de calvície.
11. Uma frase para levar: Em homens jovens treinados, 12 semanas de creatina monohidratada (5 g/dia) não alteraram DHT nem saúde dos folículos em relação ao placebo — o mito da creatina “calva” não se sustenta neste ensaio.
Referência
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40265319/
Conteúdo educativo, não substitui avaliação ou orientação de profissional de saúde. Consulte um profissional antes de iniciar treino, dieta ou suplementação.
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