Treino funcional, e não só aeróbio, melhora função executiva e BDNF em mulheres com comprometimento cognitivo leve
1. Instituição e origem: Resende-Silva, Da Silva-Grigoletto e equipe brasileira publicaram na Frontiers in Physiology (2025; DOI 10.3389/fphys.2025.1638590; PMC PMC12461263). O RCT de 16 semanas comparou treino funcional (FT), treino aeróbico (AT) e grupo controle em mulheres idosas com comprometimento cognitivo leve (MCI).
2. O que o estudo queria responder: Treino funcional e treino aeróbico diferem nos efeitos sobre cognição, condicionamento funcional e níveis séricos de BDNF em mulheres mais velhas com MCI — condição que antecede demências em muitos casos? Além da cognição, o estudo mediu BDNF sérico e bateria de testes funcionais para comparar estímulos multiplanares versus predominantemente aeróbicos.
3. Quem participou: 68 mulheres completaram a intervenção: FT n=28 (67,5 ± 4,8 anos), AT n=22 (66,3 ± 4,6 anos), controle n=18 (67,5 ± 4,6 anos). Critério central: diagnóstico de MCI. Ambos os grupos ativos treinaram 3×/semana, 50 min/sessão.
4. Como foi feito: RCT com três braços. FT com carga diariamente quantificada; AT com estímulo aeróbico estruturado. Avaliações pré e pós: função cognitiva (incluindo memória semântica e função executiva), BDNF sérico e bateria de condicionamento funcional (marcha, levantar-se, cardio, destreza, força de membros superiores).
5. Duração: 16 semanas — tempo relevante para mudanças cognitivas e de fitness em idosas com MCI, mas insuficiente para afirmar proteção de longo prazo contra progressão para demência. Dezesseis semanas são um horizonte razoável para detectar mudanças em testes cognitivos e biomarcadores, mas insuficientes para avaliar progressão para demência.
7. O que os resultados mostraram: FT e AT melhoraram status cognitivo global (FT d=0,99; AT d=0,97; p≤0,001) e memória semântica (d≈0,95–0,97). (a) Exclusivo do FT: melhora em função executiva (d=0,63; p=0,043) e aumento de BDNF sérico (d=0,95; p=0,011). (b) Condicionamento funcional: ambos melhoraram marcha, habilidade de levantar-se e condicionamento cardiorrespiratório; só FT melhorou destreza e força de membros superiores. Não houve diferenças estatísticas significativas entre FT e AT nos desfechos medidos. O grupo controle não recebeu intervenção ativa equivalente em volume, o que reforça que ambos os treinos superaram a inércia, mas com perfis distintos de adaptação neuromuscular e neurotrófica.
8. O que o estudo não responde: Apenas mulheres com MCI — não generaliza para homens ou cognição normal. Sem seguimento de anos para incidência de demência. Controle pequeno (n=18) e perdas não detalhadas no resumo. Homens com MCI, outros estágios cognitivos e populações sem diagnóstico formal não foram estudados; extrapolação exige cautela clínica.
9. Aplicação prática: Mulheres idosas com MCI podem se beneficiar de FT 3×/semana (50 min) para cognição executiva, BDNF e força superior — combinar movimentos multiplanares com progressão de carga monitorada, sempre com liberação médica. Sessions de 50 minutos, três vezes por semana, com progressão de carga monitorada no funcional podem ser prescritas como adjuvante cognitivo sob supervisão profissional.
10. Ponto de atenção: MCI exige acompanhamento neurológico — exercício é adjuvante, não tratamento isolado. O estudo não provou superioridade estatística direta de FT sobre AT em todos os desfechos. Comprometimento cognitivo leve exige acompanhamento médico contínuo; exercício complementa, mas não substitui investigação e tratamento neurológico adequados.
11. Uma frase para levar: Aeróbio e funcional ajudam a cognição; só o funcional moveu função executiva e BDNF neste ensaio.
Referência
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41018016/
Conteúdo educativo, não substitui avaliação ou orientação de profissional de saúde. Consulte um profissional antes de iniciar treino, dieta ou suplementação.
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