Treino resistido pesado melhora eficiência, potência anaeróbica e performance no ciclismo — mas não eleva VO2max
1. Instituição e origem: Llanos-Lagos C e colaboradores publicaram no European Journal of Applied Physiology (2026, PMID 40632222) uma meta-análise sobre efeitos do treinamento resistido pesado (≥80% 1RM) em ciclistas, sintetizando estudos que reportaram eficiência de pedalar, potência anaeróbica, desempenho em prova e VO2max.
2. O que o estudo queria responder: A pergunta foi se adicionar RT pesado ao treino ciclistico melora desfechos de performance distintos de VO2max — especialmente eficiência mecânica, potência anaeróbica e resultados em testes de performance — em atletas de ciclismo de variados níveis.
3. Quem participou: Dezessete estudos totalizaram 262 ciclistas, incluindo 60 mulheres. VO2max médio agregado foi 61,25 mL/kg/min — população bem treinada aerobicamente, representativa de ciclistas amadores avançados a competitivos regionais. Os autores enfatizam cautela ao extrapolar esses achados para populações não representadas no desenho original do estudo.
4. Como foi feito: Meta-análise de estudos intervencionais com RT ≥80% 1RM adicionado ao treino ciclistico habitual. Desfechos: eficiência de ciclismo (ratio potência/VO2 ou delta eficiência), potência anaeróbica (Wingate ou sprint), performance (TT, FTP) e VO2max. Tamanhos de efeito padronizados calculados por desfecho.
5. Duração: Intervenções de RT duraram tipicamente 8–12 semanas, 2–3 sessões semanais, com exercícios multiarticulares (agachamento, leg press, etc.). Concurrent training — ciclismo + RT — foi padrão em todos os estudos incluídos. Os autores enfatizam cautela ao extrapolar esses achados para populações não representadas no desenho original do estudo.
7. O que os resultados mostraram: (a) Eficiência de ciclismo: RT pesado melhorou eficiência de pedalar com ES=0,353 — ciclistas produzem mesma potência com menor custo metabólico ou mais watts ao mesmo VO2. (b) Potência anaeróbica: ES=0,560 para ganhos de potência anaeróbica, relevante para sprint, ataque e subidas curtas. (c) Performance: ES=0,463 em testes de desempenho (contrarrelógio, FTP), indicando transferência prática para prova. (d) VO2max: não houve melhora significativa de VO2max com RT pesado isolado como complemento — teto aeróbico depende primariamente de estímulo específico de ciclismo, não de força maximal.
8. O que o estudo não responde: Não compara periodização block versus tradicional, RT explosivo versus lento, nem mulheres versus homens separadamente (apenas 60 mulheres no total). Risco de interferência concurrent training em volume muito alto não foi modelado uniformemente. Os autores enfatizam cautela ao extrapolar esses achados para populações não representadas no desenho original do estudo.
9. Aplicação prática: Ciclistas amadores avançados: adicionar 2 sessões/semana de RT pesado (≥80% 1RM, agachamento, stiff, step-up) por 8–12 semanas na base ou pré-temporada. Objetivo: eficiência e sprint, não VO2max. Mantenha estímulo aeróbico específico para limiar e VO2max.
10. Ponto de atenção: Concurrent training em fase de competição intensa pode exigir reduzir volume de RT para evitar fadiga. Ciclistas com histórico de lombalgia devem priorizar técnica em agachamento e progressão gradual de carga. Os autores enfatizam cautela ao extrapolar esses achados para populações não representadas no desenho original do estudo.
11. Uma frase para levar: Levantar pesado deixa o ciclista mais eficiente e explosivo na prova — mas o VO2max continua sendo trabalho de bike, não de academia.
Referência
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40632222/
Conteúdo educativo, não substitui avaliação ou orientação de profissional de saúde. Consulte um profissional antes de iniciar treino, dieta ou suplementação.
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