Cafeína melhora desempenho no ciclismo feminino — meta-análise de 19 crossovers com 235 mulheres (SMD 0,21)
1. Instituição e origem: Revisão sistemática e meta-análise de três níveis conduzida por Bittencourt de Santa Ritta, Brito Soares e colaboradores da Universidade de Brasília e grupos de Fisiologia Aplicada (Brasil), com participação de Saunders (Reino Unido). Publicada no International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism em maio de 2026. DOI: 10.1123/ijsnem.2026-0022.
2. O que o estudo queria responder: A ingestão de cafeína melhora o desempenho em ciclismo em mulheres — e a dose, o nível de treinamento ou a fase do ciclo menstrual modificam o efeito?
3. Quem participou: 19 ensaios cruzados randomizados com 235 mulheres. Desenhos crossover com cafeína versus placebo em testes de ciclismo (TT, TT simulado, potência, tempo até exaustão). Subgrupos analisados por dose de cafeína, nível de treinamento e fase menstrual.
4. Como foi feito: Busca sistemática em três bases; seleção PICOS e PRISMA. Modelo meta-analítico de três níveis para aninhar múltiplos desfechos dentro de estudos. Viés avaliado pela RoB 2; heterogeneidade por Q e funnel plot. Subgrupos para dose, treinamento e fase menstrual.
5. Duração: Estudos agudos (dose única ou cruzamento curto) — não informam tolerância crônica à cafeína nem efeitos em provas de várias horas. Avaliação da fase menstrual nos estudos originais foi frequentemente inadequada, conforme os autores.
7. O que os resultados mostraram: Efeito ergogênico pequeno mas significativo da cafeína no ciclismo feminino: SMD = 0,21 (IC 95%: 0,11–0,29), com alta certeza de evidência. (a) Dose de cafeína não moderou o efeito (p = 0,79). (b) Nível de treinamento não moderou (p = 0,97). (c) Na fase lútea média, cafeína melhorou desempenho (SMD = 0,26; IC 95%: 0,06–0,46; p = 0,01); outras fases sem efeito significativo (p > 0,11). Heterogeneidade global não significativa [Q(36) = 7,99; p = 1,00].
8. O que o estudo não responde: Poucos estudos com rastreamento rigoroso da fase menstrual — conclusão sobre ciclo é preliminar. Homens não foram incluídos. Não aborda arritmias, ansiedade ou interação com contraceptivos.
9. Aplicação prática: Ciclistas mulheres podem testar cafeína 3–6 mg/kg ~60 min antes de treinos-chave ou provas, respeitando tolerância gastrointestinal e sono. A dose exata parece menos crítica que o timing. Se estiver na fase lútea média, o benefício pode ser ligeiramente maior — mas a evidência de subgrupo é frágil.
10. Ponto de atenção: Cafeína pode aumentar frequência cardíaca e ansiedade; contraindicada em algumas arritmias e em excesso para quem tem insônia. Em competições antidoping, verifique regulamento — cafeína saiu da lista proibida em concentrações usuais, mas políticas variam.
11. Uma frase para levar: Para mulheres no bike, cafeína dá um empurrão modesto mas real — o tamanho do efeito é pequeno, porém consistente.
Referência
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42208612/
Conteúdo educativo, não substitui avaliação ou orientação de profissional de saúde. Consulte um profissional antes de iniciar treino, dieta ou suplementação.
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